Relato de parto: Rosinha chegou!
Rosa nasceu terça-feira, dia 27 de dezembro de 2011, de parto “natural”. Aqueles partos onde a mãe é a protagonista não são mais chamados de partos “normais”, mas de “naturais”. “Normal” hoje, aqui no Brasil, é cesariana.
Eram quase 4 da manhã quando a bolsa estourou. Correr direto para o hospital? Não. Ligamos para a Maira, a doula, que já havia nos explicado nas inúmeras conversas pré parto que o processo seria longo e exigiria paciência. Ela veio pra casa nos encontrar, conferiu o coraçãozinho da bebê que batia valente e a dilatação da mamãe, que ainda era pouca. Nos deixou a sós para que viessem as contrações. E como vieram!
A cada contração parece que a razão ia se afastando da minha mulher, que estava virando bicho. As 8 da manhã já estavam bem regulares, quase de 5 em 5 minutos e a Renata já estava completamente transformada. Olhar para aquela mulher em trabalho de parto me fez me lembrar que antes de economistas, músicos, que nós somos animais. E nossa cadela, cúmplice, ficou sentada embaixo da nossa janela, ouvindo quietinha os gemidos da nova mamãe.
Assim que chegamos ao hospital as 10:30 da manhã, Renata já estava um animal selvagem. A atendente queria ser simpática, mas não compreendia que a Rê estava entre contrações fortíssimas, sentindo muita dor, que não podia ficar respondendo questões sobre seu passado hospitalar. Não se tratava de uma “paciente” rumo a uma “internação”. Ela não queria cadeira de rodas, não queria ser tratada como doente, por que se sentia muito viva: estava parindo a sua 1º filha!
O hospital perfeitamente decorado e equipado é quase um shopping center: tudo pensado para te atender de forma eficiente, te receber de forma confortável e claro, pra tentar te convencer a consumir os diversos produtos vendidos no menú do parto: fotos, filmagem, transmissão via internet, roupinhas, brinquedinhos, louções de banho, flores, crionagem das células tronco do cordão umbilical (acredite se quiser), dentre outros…
Mas tudo bem. Essa foi a escolha da Renata: parir num hospital para poder contar com a equipe e infra estrutura médica caso fosse necessário.
Depois do desconforto da chegada, eis que surge o 1º grande ponto positivo do hospital: a banheira.
Lá a mamãe conseguiu relaxar até chegar na dilatação total do canal vaginal.
Da banheira ela foi direto para a cama de parto. Nós todos presentes na sala estávamos lá mais como espectadores que como qualquer outra coisa. Nos últimos instantes era tanta torcida e emoção que a enfermeira só faltou gritar: “vaaaaaaaai corinthias!”. Foi bonito demais…
Cercada de pessoas compreensivas e muito bem intencionadas, Renata estava muito segura e fez o trabalho de parto praticamente sozinha. Durante a gravidez ela se certificou de encontrar uma equipe que a permitiria sentir-se segura na ocasião: uma médica que topasse o parto normal em plenas festas de fim de ano (com direito a substituta, para caso de imprevisto e que no final das contas também esteve presente durante o parto!), as duas doulas carinhosíssimas (a oficial e “a outra”, a substituta) que tiraram suas dúvidas e que a ajudaram a se preparar para “O” dia e eu, seu marido cúmplice.
A grande alegria do parto da Rê foi que, ao final, quem pariu sua filha foi ela mesma. A equipe médica que ela encontrou foi muito respeitosa com o desejo dela: de viver a experiência completa da gestação e no final, parir! Foi a conclusão de um ritual de 9 meses, quando ela se transformou de mulher, em mãe.
Para essa nova mulher (a mãe da Rosinha) eu fiz essa música, Brabuleta*, que aproveito para dedicar a todas as mães que encararam o medo e que trouxeram ao mundo seus filhos de forma natural.
Aproveito para agradecer o carinho e compreensão das doutoras Ana Carolina Caetano e Fernanda Guttilla (obstetras), a Maíra Bittencourt (a doula), a Maíra Duarte (a “outra”) a doutora Sandra Regina de Souza (pediatra) e a enfermeira plantonista, que eu não peguei o nome, mas que também foi boa de mais! Graças a mamãe, a vocês e ao nosso bom Deus, tudo correu muitíssimo bem e a minha filha nasceu a coisa mais linda do mundo, a cara do papai!
*Brabuleta foi ensaiada às pressas e gravada na 1º demo do Dúo PB. Se quiser ouvir as outras músicas clique aqui.


Lindo! Me emocionei ao ler o relato e ouvir a música! Parabéns à família e feliz 2012!
Flávia
Obrigado Flávia!!! Feliz 2012 pra todos nós!!!!
Rê e Vinicius,
Parabéns por viverem o único milagre empiricamente verificável, o milagre da vida. Quando nasce uma criança a humanidade tem uma nova oportunidade de se fazer melhor. Ser pai e mãe é realizar o divino e o sagrado naquilo que somos – o divino e sagrado humano. Beijos para os três! Parabéns aos pais! Bem-vinda Rosinha! Feliz ano novo…
Salve Rosinha, Rê e Vini…
vocês merecem degustar destes raros e infinitos momentos de extrema felicidade que transcendem a própria vida, nos remetendo a profundidade e complexidade da existência que nos faz caminhar de forma única no coletivo humano..
A Rosinha é linda demais…A Brabuleta e o relato ficaram mágicos.. Parabéns!!!
Beijos e muita luz na caminhada de vocês..que a Rosinha herde da gente um mundo melhor do que nós herdamos de nossos pais.
Elias.
Vinícius,
Parabéns aos três… Que lindinha a nova brasileirinha: Rosa, Rosinha…
Dá um beijão na renata e na Pequena nem precisa mandar, né?
Felicidades e o carinho
Ilmar
Amigos Gegê, Ilmar e Elias,
Quem não acredita em milagres nunca teve filhos. É de fato um acontecimento divino. Até pouco dançávamos aqui na cozinha, tentando fazê-la adormecer. E adormeceu. Quando “dançariamos na cozinha” antes da chegada dessa pequena?
Tantos amigos com palavras lindas desejando o melhor para o nosso futuro! Se isso não for divino, eu não sei o que será.
Com relação ao mundo melhor, eu o vejo no rosto dessa pequena. Ela será preparada com os melhores exemplos que formos capazes pra servir na nossa luta pela vida nova, diferente da de ontem. E ao lado dos vossos filhos, meus amigos, amanhã haverá um exército de jovens ávidos por mudanças!
E aí…. seja o que Deus quiser!!!
Grande abraço para todos e daqui a pouco venham ver a pequena que, cá entre nós, é a coisica mais linda desse mundo….
Re e Vina, demais da conta…
Empolgante ver a mulher forte e VIVA sabendo exatamente o que quer! Vina, vc foi sábio em apenas amparar o caminho já traçado! Não teria mais o que fazer!
Logo logo vamos estar aí com vcs, cantando e compondo para essa vida!!!
Obaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Bjsss