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O fenômeno Tiririca

by Vinicius Pereira on 26/09/2010

Para ser bem direto, Tiririca foi fabricado por uma tchurma que quer fazer parte da máquina do poder, e que precisava de um nome com muita visibilidade pública, de uma imagem para ser eleita. O que é que nós elegemos hoje em dia?

A imagem de alguém que vai resolver o problema da educação, ou a imagem de alguém que vai lutar pela saúde, ou a de alguém que brigará rumo ao fim da desigualdade social.

A Dilma por exemplo, foi a solução do Lula e do PT para continuarem no poder, dentro da máquina, dando continuidade a forma Lula de tocar o Brasil (que economicamente é a continuação do que plantou o FHC).

A nossa futura presidenta é a imagem da continuidade do governo Lula (entenda-se PT). E o Tiririca, é a imagem de quem?

Ele responde no seu vídeo:

O que é que faz um deputado federal?

Na verdade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto.

Quem também não sabe se identifica com ele. Ele é a imagem do povo. O povo não sabe o que faz um senador, um deputado. E se os (desculpem o termo, mas não me contenho) os filhos da puta que o estão elegendo (não falo do povo, mas do PR Nacional!) forem de fato inteligentes, utilizarão o fantoche Tiririca no decorrer dos próximos 4 anos, com vídeos curtos e idiotas, “explicando” o que faz um deputado federal. E desta forma garantirão daqui a 4 anos, mais um mandato do fantoche.

Campanha eleitoral é briga de marketeiros. Ninguém precisa ser filho de publicitário como eu pra saber disso. Hoje em dia isso está claro como nunca.

Nós do Movimento Elefantes (coletivo de músicos paulistas) estamos começando um processo de discussão sobre o ensino de música nas escolas. E no meu ver, essa é a verdadeira política. Se conseguirmos de fato dialogar com os estudiosos da educação musical e construirmos coletivamente um processo em transformação infinita, que amadurece a cada dia, a cada bate papo, ouvindo os estudantes e educadores, e se conseguirmos fazer com que a nossa experiência seja divulgada e expandida para outras escolas além da escola onde atuamos, quem sabe desta forma, depois de anos de trabalho e amadurecimento do trabalho da sociedade pensando educação, o estado seja obrigado em transformar em política pública a experiência verdadeira da sociedade pensante.

Isso dando certo, não importa quem vença a briga de marketing. Independente de quem for eleito, quem tocará  o ensino de música nas escolas será a própria sociedade que unida pensa, todos os dias, e que age diretamente com os alunos, professores e diretores de escola uma forma legal de trabalhar com cada realidade (escola) específica.

Não quero mais aceitar “a proposta” do partido X para educação. Quero participar da construção da elaboração e implementação dessa proposta com a sociedade e que o governo coloque grana e assista feliz ao processo. Ou, caso o partido vencedor da briga de marketing seja inteligente, então o governo poderá se sentar lado a lado com a sociedade civíl e discutir conosco este processo.

De cima para baixo, nunca mais. Com as ferramentas que temos hoje (como essa que uso agora) não dependemos mais de representantes que pensem por nós. Hoje a sociedade pode e deve meter a mão na massa e construir seu futuro com as próprias mãos, não passivamente como antigamente, somente através do voto a cada 4 anos.

As emissoras de TV, rádios, revistas e afins já aprenderam que hoje o público não é mais espectador passivo como antigamente. Hoje o público é gerador de conteúdo, assim como a TV e o jornal. Considerar que o cidadão é simplesmente um “eleitor”, que decide quem pensará por ele, é um equívoco, uma visão antiga, burra, que desaparecerá até 2018. A velharada toda morrerá, e os que ficam aprenderão com seus marketeiros que hoje a coisa é diferente. Ou dialogarão de fato com a sociedade, ou não serão mais eleitos (assim eu espero!).

Acho uma pena, uma pena mesmo que a esquerda não tenha se unido para somar seus espaços nos meios de comunicação e tentar provocar o povo a pensar, a participar ativamente da construção de um canal de diálogo, onde os nossos verdadeiros problemas sociais sejam discutidos. Foi muito triste ver a esquerda se repetindo no programa eleitoral, falando sobre a redução de jornada de trabalho. Se estivessem unidos, poderiam ter se aprofundado um pouco mais no tema, ou falado sobre outras coisas importantes…

Enfim, estamos no meio de um processo de transformação. To adorando participar, ativamente.

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