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Dois “textículos” sobre o Plínio

by Vinicius Pereira on 16/09/2010

Uma voz discordante

“Vocês estão vendo, né? Isso aqui é uma Poliana: o bem deve ser feito e o mal deve ser evitado.” Com essas palavras, Plínio Arruda iniciou suas considerações finais no primeiro debate televisionado entre os candidatos à presidência. A referência a Poliana, famosa personagem da literatura caracterizada pela inocência e ingenuidade, além de arrancar risos, de certa forma, sintetizou o clima de convergência entre os outros três candidatos, Dilma, Serra e Marina.

O panorama pode ser descrito da seguinte forma: há uma representante do “continuísmo”, que pega carona na popularidade do atual governo e figura na ponta das pesquisas de intenção de voto, mesmo tendo feito pouco para chegar lá; há um representante da oposição que não pode exagerar nas críticas à atual gestão, sob pena de esbarrar nos altíssimos índices de aceitação popular do presidente; há uma “verde” dissidente do PT, mas que propõe uma campanha pacífica, que reconheça acertos e erros das últimas gestões. E há Plínio.

Plínio foi o destaque do debate. Nem tanto pelas propostas de governo em si (que ficaram aquém do esperado de modo geral entre os candidatos), mas pela forma clara e firme com que se manifestou acerca de temas polêmicos como reforma agrária e distribuição de renda. O posicionamento claro, sem rodeios nem discursos evasivos é muito bem-vindo no embate político. Política e divergência são termos intrinsecamente ligados e, não fosse Plínio, talvez o clima entre os presidenciáveis seguisse monotonamente concordante.

Observando o debate, é fácil perceber um tal “muro” – para usar um dos termos preferidos do candidato do PSOL – dividindo os posicionamentos dos três melhores colocados nas pesquisas (Dilma, Serra e Marina) e o de Plínio. Quem dá por certa a inviabilidade das ideologias no cenário político atual classifica de tacanho e retrógrado o discurso do socialista. Luta de classes? Taxação do lucro? Quem ainda insiste nisso? Mesmo Lula teve que, aos poucos, ir “tirando a faca dos dentes” para chegar à presidência. No entanto, não dá para negar que o candidato do PSOL introduziu no debate temperos interessantes, como clareza de posicionamento e desenvoltura em dizer o que desagrada a muita gente.

Resta saber se, caso fosse eleito, Plínio não incorreria no mesmo erro que ele acusa Lula de ter cometido: o de ter assumido a presidência sem condições reais de comandá-la como havia prometido em campanha. Para ele, Lula foi um irresponsável que “montou no cavalo sem empunhar as rédeas”. E se as rédeas caíssem nas mãos de Plínio, o destino do cavalo estaria assegurado? Aguardemos os próximos capítulos, mesmo sabendo que são pequenas as chances de tirarmos essa dúvida.

tiagoluispereira@hotmail.com

TIAGO LUIS PEREIRA, MÚSICO E JORNALISTA

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Plínio: “vamos começar uma nova campanha em outubro”
15 de setembro de 2010  22h29

JULIANA PRADO

Direto de Belo Horizonte

O candidato à presidência pelo Psol, Plínio Arruda Sampaio, pretende iniciar uma nova campanha assim que sair o resultado das urnas, em 3 de outubro. Praticamente sem pontuar nas pesquisas, mas com lugar reservado nos debates televisivos – direito garantido a seu partido por ter assento no Congresso – o concorrente disse que irá mapear seus votos assim que terminar o pleito. O objetivo? “Vamos atrás desta gente e montar uma enorme força de esquerda. Vai ter um tempo em que essa ‘pasmaceira’ irá acabar e essa será a hora da virada”, divaga o candidato.

As declarações foram feitas em Belo Horizonte, na noite desta quarta-feira (15), durante reunião com apoiadores de campanha e representantes da ocupação Dandara, que foi visitada por Plínio no período da tarde. Com o discurso afiado e descontraído que o levou a ficar conhecido do eleitorado brasileiro, ele fez piada com o seu fraco desempenho até o momento nas pesquisas de intenção de voto. “Vou citar aqui o filósofo célebre, Vicente Mateus, que disse que o jogo só termina quando acaba”, afirmou, em referência ao folclórico ex-presidente do Corinthians, morto em 1997.

O candidato ainda lamentou que a troca de acusações envolvendo os dois principais candidatos ao Planalto, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), durante a campanha, tire o foco para os problemas que considera os mais importantes a serem discutidos, como a desigualdade social. Sobre as últimas denúncias de quebra de sigilo fiscal de contribuintes ligados a Serra e suspeitas de tráfico de influência na Casa Civil, Plínio também opinou. “O problema é real, é um problema importante para o País. A privacidade das pessoas é um direito. Mexeu nisso, tem que tocar. Mas o problema é que isso está concentrando o debate, e este não é o problema mais importante, e sim, a segregação social”.

Dizendo encabeçar uma campanha contra tudo e contra todos, o candidato afirmou que o que mais vale a pena é campanha política, numa espécie de balanço da sua perfomance na atual disputa. “Eu fiz campanha minha vida inteira, essa pra mim é mais uma. Como diz a minha mulher, assim que acabar essa agora, eu vou lutar pela reeleição”, anunciou, entre risos.

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4680376-EI15315,00-Plinio+vamos+comecar+uma+nova+campanha+em+outubro.html

Quem quiser conhecer mais sobre o Plínio: http://www.plinio50.com.br/

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